Home.
Quem somos.O que fazemos.Na prática....Que há de novo?.Escritos.Clientes.Contactos & Links.
Back.
Next.
Previous.
Foi você que disse competência ?
Nelson Trindade
Competência ou incompetência treinada?
Uma pequena história:

Imaginemos um atirador de pistola que vai ser seleccionado para fazer parte de uma equipa para os Jogos Olímpicos.

No momento da selecção ele garante que é muito competente porque acerta sempre onde quer... e vai provar.
Pega na pistola dá um tiro para a frente e depois garante que era exactamente ali que queria acertar. Dá outro tiro para outro lado, e torna a garantir que o alvo era exactamente esse onde a bala acertou. Portanto, ele provou que era competente.

Como é óbvio ninguém acreditou e pediram-lhe para acertar num alvo previamente marcado.
Se acertar é competente, se não acertar incompetente, a avaliação é simples e fácil.
Conclusão:
                          Ninguém é competente por ter bons resultados, só é  
                           competente por cumprir o que prometeu antes.
Nos século passado, e fundamentalmente no século XIX, qualquer indivíduo por “ter emprego tinha trabalho” e garantir este emprego era a missão principal dos Sindicatos na defesa dos seus associados.

Hoje, a situação inverteu-se. O indivíduos por terem trabalho têm emprego, e terem trabalho significa que têm uma competência profissional que é procurada, requisitada, desejada por “empregos” à sua volta. Isto significa que hoje podemos encontrar 4 tipos de valor profissional:

- competência profissional
- incompetência profissional
- não incompetência
- incompetência treinada

Um profissional que nunca é avaliado está numa situação muito segura de “não incompetência profissional”, mas isso não significa competência profissional. Para não fazer erros (não ser incompetente) é apenas preciso ou não fazer nada ou limitar-se a cumprir apenas o óbvio.

A maneira segura de ser avaliado e provar que cumpriu o prometido é marcar objectivos vagos ou impossíveis (no caso do atirador seria atirar para a frente ou acertar numa gota de água), no primeiro caso porque será impossível ver os desvios e no segundo porque terá sempre desculpa.

Nas organizações o mais seguro são Objectivos “a la Palisse” do tipo: fazer o melhor possível, melhorar o que está, aplicar todos os meios à disposição, realizar o resultado que as circunstâncias permitirem, informatizar o serviço, dar formação, etc.
A garantia de “não incompetência” é total.
Em qualquer profissão a recusa de ser avaliado formalmente é uma garantia de “formal não incompetência”. Mas isto não significa competência. Uma aspecto é “fazer erros” (ficar abaixo do nível), outro aspecto é “não fazer erros” (viver sobre o nível) e um terceiro é “ter êxitos” (ficar acima do nível) e este último, que só aparece com avaliações, é que é a porta para a “competência profissional”.

Numa época de mudança acelerada, o último tipo – incompetência treinada – é uma das principais “doenças” do mercado de trabalho. Quando alguém diz “tenho 30 anos de experiência profissional” isto não quererá dizer que tem “1 ano de experiência e, depois,  mais 29 anos a repetir o mesmo”? Se tal acontece, esse técnico está muito treinado numa determinada forma de trabalho, mas como em 30 anos tudo evolui, essa forma de trabalho é profundamente disfuncional. Encontramos assim a chamada “incompetência treinada”:

                                            ... faz muito bem, mas não serve para nada!









Nos séculos passados, este problema não era grave e muitas vezes nem sequer existia, a experiência do avô servia ao neto, depois a experiência do pai servia ao filho, depois a própria experiência servia ao individuo até à reforma. Hoje, a nossa experiência de ontem não nos serve hoje.

Enquanto a incompetência treinada alastrar numa organização e num país o futuro tornar-se-á muito problemático.
O problema de existir ou não avaliação profissional é um falso problema. A avaliação profissional existe sempre. Os resultados do nosso trabalho são sempre recebidos por um outro e esse outro conclui sempre se é isso que quer ou não: a avaliação está feita.

Quando um canalizador em nossa casa tem um mau resultado, não o contratamos mais, a avaliação está feita. Quando numa empresa alguém é (ou não) escolhido para uma tarefa, um compromisso, uma festa, etc. a avaliação foi feita e teve esse resultado. Quando alguém é (ou não) convidado para participar em algo, isso é o resultado de uma avaliação.
Todas as opções que se fazem acerca doutra pessoa são o resultado de avaliações... é impossível não avaliar. Qualquer organização vive com base em decisões sobre outros, e essas decisões são apoiadas em avaliações.

Quando a cultura vigente é de “ter emprego para ter trabalho” não interessa que a avaliação sobre o trabalho se torne visível, e então defende-se a não existência de avaliações. Isto quer dizer que as avaliações continuam a existir, o que não são é formalmente tornadas visíveis. Toda a gente sabe mas ninguém o diz. Os processos não são claros, tudo se passa num mundo do “faz de conta”.
Dicas
listaDicas