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Dicas
Sandwich de Lideres
Nelson Trindade
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A estrutura militar é muito clara neste duplo papel que cada elemento desempenha, pois expressam visivelmente pelo seu comportamento qual o assumido nesse momento. Assim, se, virando-se para um lado, a relação é com um “inferior”, o papel desempenhado é o  de líder. Adopta uma postura de à vontade, controla o diálogo, é impositivo e emite directivas (manda).  Quando se vira para o outro lado, para um “superior”, a postura torna-se rígida (“em sentido”), cumpre as “deixas” (permissões) fornecidas no diálogo, é receptivo e cumpre  directivas (obedece) .

O importante numa estrutura deste tipo  é estar atento para que lado se está virado, e nunca se enganar. Nestas organizações (militar ou civil), assistir a um diálogo de um elemento em situação de “Sandwich” entre um “superior” e um “inferior”, tendo que funcionar como intermediário entre um e outro, é um espectáculo digno de observação.

Estes comportamentos de líder e/ou liderado são representações de scripts sociais assumidos (educáveis e que dependem de cultura para cultura) que só se realizam na presença do par correspondente, numa espécie de “dança” a que o outro tem que corresponder. Estes dois papeis a desempenhar por pessoas distintas têm sempre que ter scripts complementarmente integráveis, ou então existirá ruptura na “dança” (liderança) a realizar.

Líder e liderado são o verso e reverso da mesma medalha, sendo um a condição necessária para a existência do outro, através da relação de mutua complementaridade, que pode ser expressa por uma metáfora:

... um líder sozinho numa ilha deserta, nunca será um líder se não tiver lá um “liderado” que lhe dê essa característica, aceitando-o como líder.

A simultaneidade dos papeis de líder e liderado na mesma pessoa está tão pouca clarificada na nossa cultura que, quando em formação, tendo feito várias vezes a pergunta se “uma pessoa sozinha numa ilha deserta é líder”, a resposta normalmente recebida, em ar de brincadeira,  é “sim, de si próprio”.

Mas, quando pergunto se “uma pessoa sozinha numa ilha deserta é subordinado”, nunca obtenho a resposta, nem a brincar, “sim, de si próprio”.

Projectar-se como líder de si próprio é comum, mas é invulgar ver-se como subordinado de si próprio.

Mas haverá diferença entre uma educação que diz “tens que mandar em ti” para outra que diz “tens que obedecer a ti”? Qual é a que introduz mais positividade ?

Se se completar estas frases, talvez a sua diferença fique mais clara: “tens que mandar em ti porque és um fraco” ou “tens que obedecer a ti porque és forte”. Qual destas duas afirmações se integra uma cultura propiciadora de mais confiança pessoal, de maior autonomia ? Que papeis sociais de líder e de liderado se “educam” e propiciam difusamente em cada uma delas? Os scripts destes dois papeis dependem das culturas em que se inserem.

O atributo de ser líder nunca é originado no próprio, mas sim na relação social com liderados que mantêm com ele ... e não ele com os liderados. Se ele estabelecer uma relação de líder com eventuais liderados, mas estes não a aceitarem, ele não é líder. Porém,  se os liderados estabelecerem com ele uma relação de aceitação da sua liderança, quer ele queira ou quer não, será líder. No caso de Ghandi, em determinada altura da sua vida foi exactamente isto que aconteceu.

Em conclusão:

Ser líder não é um parâmetro psicológico, é um parâmetro sociológico, não é função do indivíduo, é função da sociedade e do contexto sócio-político que se vive.

Em cada cultura, dentro dos scripts vigentes e socialmente disponíveis para os dois papeis, algumas linhas de força fazem parte dominante da configuração disponível. Na nossa cultura europeia, uma das mais conspícuas é a problemática da autoridade.

 

“Liderados” sempre existiram na sombra dos lideres.

Na verdade, se analisarmos uma estrutura organizacional ela é sempre um encaixe de  sucessivos nódulos-de-poder que agem em dois papeis simultâneos:

 

para baixo são líderes,

para cima são líderados.

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